Wednesday, August 31, 2011

O espaco interior parece aumentar a medida que a pressao exterior diminui. Ar fresco batendo no rosto e uma certeza de crescimento.

Tuesday, August 30, 2011



Desconheco o motivo, mas o dia amanheceu como sábado de Carnaval.

Wednesday, August 24, 2011

Letras que formam palavras que formam versos ou estorias. E nomes.
Nomes que criam identidades que deixam marcas. Nomes que de repente nao param de cruzar nosso caminho.
Historias, caminhos e coincidencias.

Tuesday, August 23, 2011

Magnólia sempre foi um de meus filmes favoritos. Não sou uma expert no assunto e só sei dizer que gosto das pequenas histórias que se cruzam em algum momento. Confesso que os acontecimentos aparentemente absurdos também me encantam. O que dizer da chuva de sapos ou do filho que pula do alto do prédio com intenção de se matar, mas que acaba morto por um tiro de espingarda disparado pela mãe histérica que mais uma vez discute com o pai?
O roteirista parece ser daquelas pessoas que enxergam além da superfície. O tipo que eu não sou, normalmente. Melhor, o tipo que não tenho sido nos últimos anos.
O bom da impermanência inerente a vida é que tudo muda, inclusive as coisas que não são boas. Vagar como uma pessoa anestesiada, de repente, deixa de ser sua condição. Os sentidos acordam e as minúcias do mundo começam a sussurrar ao seu ouvido, trazendo a tona uma série de coincidências de de ficção.


Monday, August 15, 2011

Uma das coisas que mais me agrada no snorkeling é o choque entre a intensa movimentação da vida marinha e o silêncio acalentador das águas. Confesso que sempre gostei do silêncio. E de susurros.
Meus olhos são mais resistentes que meus ouvidos. Observar o vai e vem é meu forte. Ver o rosto, o gesto feito ou contido, a roupa escolhida, o corpo a mostra, tudo isso me vem naturalmente.
A ansiedade atua em mim como snorkeling ao contrário. A vida não se movimenta porque não existe e o mar soa barulhento como ondas de ressaca batendo contra rochas escuras. Nesses dias eu queria que meus pés de pato fossem turbinados e me levassem para terra firme.

Tuesday, August 09, 2011

Hoje levei 20 minutos batendo papo com o quitandeiro. Assunto não nos faltou: os vários tipos e procedências dos pães, regionalismos que alteram hábitos alimentares e expressões idiomáticas. Fomos do pãozinho ao cacetinho, passando pela pamonha de milho e pela outra que andava na rua.
Deixei a quitanda com uma garrafa de leite, três pães franceses, um leve sorriso no rosto e a impressão de que essas coisas pequenas e provincianas despertam minha humanidade.

Friday, August 05, 2011

Cabe em um só a luz e a sombra. Como é difícil aceitar que carregar a sombra não apaga a luz.
A sensibilidade deve ser apurada para se distinguir os momentos de luz e os momentos de sombra, de modo que se possa ganhar a energia do sol nos dias de claridade e se possa acender uma chama nos dias de trevas.

Thursday, August 04, 2011

Pés na grama, rosto ao vento.
O mundo fica tão melhor com menos barulho mental. Meus sentidos retomam seus papeis no mundo: azul é azul, morno é morno, quero-quero pia alto e Lykke Lu sussura aos meus ouvidos.

Tuesday, August 02, 2011

A vento lá fora faz tanto barulho que assusta até minha linda cachorra. A previsão falava de ventanias fortíssimas em Santa Catarina, mas digamos que São Paulo fica bem longe.
Em mim, nada de ventos assustadores a descabelar meu interior.

Monday, August 01, 2011

Um buraco pequeno, pequenino, chiquito, nano. Um lugar que faça eu me sentir maior e que expulse o medo de ser pisoteada sem sequer ser notada.

Friday, July 29, 2011


Mesmo no meio da tristeza há beleza. Essa beleza, mais do importância estética, tem um significado imenso e acalentador. Mostra que o caos está dentro de você e que o mundo continua vibrando de forma equilibrada lá fora. É preciso coragem para olhar e humildade para identificar o belo e reconhecer que a vida continua de portas abertas.
Um ser humano pode morrer de sede no meio do mar. Se ele não morrer desidratado, significa que o desejo foi maior que a lucidez e ele bebeu água salgada. A morte não será de sede, mas não será menos sofrida.
Que seja sede, então. E que eu seja forte para aguentar cada efeito ruim da falta de água doce sem perder a esperança de encontrar paz.

Friday, July 22, 2011

O barulho é tão grande que me impede de distinguir os sons, as letras e palavras. Sei que algo foi dito e provavelmente repetido várias vezes, mas todos os pensamentos do mundo resolveram batucar na minha cabeça, fazendo zunir meus ouvidos.
Nesse ponto me pareço com Schopenhauer. Tenho medo do barulho porque ele me impede de pensar claramente.

Tuesday, July 12, 2011

Por que as pessoas esperam por coisas impossíveis de acontecerem? Deve ser o que alguns chamam de fé e que outros, mais centrados provavelmente, chamam de cegueira, alienação ou negação.
O rio não corre para cima, cachorros não falam e um ser humano não consegue abandonar sua verdadeira natureza.
Falo por mim. Não faço uma coisa simplesmente porque é o certo fazê-lo ou porque é decente realizá-lo. Eu vivo em negação. Se me reconheço assim, por que esperar que um semelhante aja diferente?

Saturday, July 02, 2011

Do espaço conheço pouco. Sou capaz de apontar o sol, a lua e as três Marias.
No elemento aquático meus conhecimentos são ligeiramente maiores. Identifico três tipos de coral, sou ciente do movimento das marés, sei que tubarão-baleia não é carnívoro e que baleia não é peixe.
Sendo touro com ascendente em capricórnio, de terra sei um pouco mais. Diferencio areia de terra, sei que existem rochas sedimentares e rochas ígneas. Não nego que há tempo de plantar e tempo de colher, de que tomate é fruta e não legume.
Bem se vê que pouco conheço do mundo. Sou ignorante.
Ignoro principalmente o homem. Pouco sei dessa criatura. Menos ainda sei de mim.
Não sei por qual motivo vou e nem porque fico. Me surpreendo com a quantidade de coisas estranhas que brotam em mim ou de mim.
Raiva? Não consigo imaginar quanto desse veneno pode caber em mim. Quando transpiro essa substância, chego a me assustar.

Wednesday, July 14, 2010

De vez em quando o ar fica parado e as folhas das árvores não se movem. Isso gera suspeita. Em mim, sempre gera suspeita.
Outras vezes corre um vento quente que enfraquece as pessoas e levanta uma poeira difícil de se respirar. Os humores são afetados. Os leões ficam mais agressivos por conta do vento.
Em comum existe a certeza da chuva que virá. Forte, do tipo tempestade com raios e trovões.
Maio e junho foram meses de noroeste, o vento quente que abaixa minha pressão arterial. Ar pesado, areia nos olhos e indisposição.
A chuva forte chegou em julho, junto com o inverno. Relâmpagos assustadores, barulho de trovões e pés molhados.
Existe um ditado sobre tempestades e o que vem depois. Não é preciso descrevê-lo.
O boletim do Climatempo não deu sinais sobre o fim da chuva. Há esperança baseada na fé.
No que se baseia a metereologia?

Sunday, May 30, 2010

Edição de vídeo, argila, guitarra e respiração. Como sair dessa confusão mental?

Sunday, March 14, 2010

Entrei num site de noticias e la estava "garrafa quase tira Axl Rose do palco", "Edilson faz seu primeiro gol pelo Bahia apos 40 dias" e "por onde andam os Lost Boys".
Conclui que a vida na redacao deve estar muito parada sem terremotos ou tsunamis nos ultimos 10 dias. So uma vontade enorme de entreter o leitor justifica essa nostalgia toda. Mais o mais curioso e perceber como uma tragedia entretem bem o estimado publico.

Tuesday, March 09, 2010

Quando a acao resultante de seu pior estado de espirito e motivo de elogio, esteja atento. Se voce nao e a Clarice Lispector, ha algo muito errado. Com voce, com a pessoas que o elogiam ou both.

Wednesday, November 11, 2009

Brisa ao meu lado.
Vento calmo soprando devagar.
Brisa silenciosa.
Fuerzabruta.