Faz tempo que o dia não amanhece tão bonito. Ou que meus olhos não ficam tão abertos.
Só que meus olhos estão abertos e o dia está ensolarado.
Os poucos acordes que dedilho na guitarra soaram como música. O pelo limpo da Brisa está macio e o short velho que peguei no guarda roupas cheira como tranquilidade.
Parece que uma página foi virada no calendário, indicando que minha primavera começou.
Friday, September 30, 2011
Tuesday, September 27, 2011
Tuesday, September 13, 2011
Friday, September 09, 2011
No meio do caminho perdi o respeito por mim. Caminhando eu sentia que algo estava diferente, mas não identificava o que. Quase no fim da trilha eu pensei que fosse o amadurecimento que me fazia andar diferente. Quando cheguei ao final da viagem, não estava onde pensei que estaria. Olhei ao meu redor e nada era familiar. Toquei minhas mãos, minhas pernas e meu peito. Eu ainda era eu, mas não era a mesma pessoa e não era alguém que gostaria de ser depois de tanto chão percorrido. Busquei minha bagagem sem encontrar mapa ou bússola. No meio do caminho perdi o respeito por mim.
Thursday, September 08, 2011
Tuesday, September 06, 2011
Wednesday, August 31, 2011
Wednesday, August 24, 2011
Tuesday, August 23, 2011
Magnólia sempre foi um de meus filmes favoritos. Não sou uma expert no assunto e só sei dizer que gosto das pequenas histórias que se cruzam em algum momento. Confesso que os acontecimentos aparentemente absurdos também me encantam. O que dizer da chuva de sapos ou do filho que pula do alto do prédio com intenção de se matar, mas que acaba morto por um tiro de espingarda disparado pela mãe histérica que mais uma vez discute com o pai?
O roteirista parece ser daquelas pessoas que enxergam além da superfície. O tipo que eu não sou, normalmente. Melhor, o tipo que não tenho sido nos últimos anos.
O bom da impermanência inerente a vida é que tudo muda, inclusive as coisas que não são boas. Vagar como uma pessoa anestesiada, de repente, deixa de ser sua condição. Os sentidos acordam e as minúcias do mundo começam a sussurrar ao seu ouvido, trazendo a tona uma série de coincidências de de ficção.
O roteirista parece ser daquelas pessoas que enxergam além da superfície. O tipo que eu não sou, normalmente. Melhor, o tipo que não tenho sido nos últimos anos.
O bom da impermanência inerente a vida é que tudo muda, inclusive as coisas que não são boas. Vagar como uma pessoa anestesiada, de repente, deixa de ser sua condição. Os sentidos acordam e as minúcias do mundo começam a sussurrar ao seu ouvido, trazendo a tona uma série de coincidências de de ficção.
Monday, August 15, 2011
Uma das coisas que mais me agrada no snorkeling é o choque entre a intensa movimentação da vida marinha e o silêncio acalentador das águas. Confesso que sempre gostei do silêncio. E de susurros.
Meus olhos são mais resistentes que meus ouvidos. Observar o vai e vem é meu forte. Ver o rosto, o gesto feito ou contido, a roupa escolhida, o corpo a mostra, tudo isso me vem naturalmente.
A ansiedade atua em mim como snorkeling ao contrário. A vida não se movimenta porque não existe e o mar soa barulhento como ondas de ressaca batendo contra rochas escuras. Nesses dias eu queria que meus pés de pato fossem turbinados e me levassem para terra firme.
Meus olhos são mais resistentes que meus ouvidos. Observar o vai e vem é meu forte. Ver o rosto, o gesto feito ou contido, a roupa escolhida, o corpo a mostra, tudo isso me vem naturalmente.
A ansiedade atua em mim como snorkeling ao contrário. A vida não se movimenta porque não existe e o mar soa barulhento como ondas de ressaca batendo contra rochas escuras. Nesses dias eu queria que meus pés de pato fossem turbinados e me levassem para terra firme.
Tuesday, August 09, 2011
Hoje levei 20 minutos batendo papo com o quitandeiro. Assunto não nos faltou: os vários tipos e procedências dos pães, regionalismos que alteram hábitos alimentares e expressões idiomáticas. Fomos do pãozinho ao cacetinho, passando pela pamonha de milho e pela outra que andava na rua.
Deixei a quitanda com uma garrafa de leite, três pães franceses, um leve sorriso no rosto e a impressão de que essas coisas pequenas e provincianas despertam minha humanidade.
Deixei a quitanda com uma garrafa de leite, três pães franceses, um leve sorriso no rosto e a impressão de que essas coisas pequenas e provincianas despertam minha humanidade.
Friday, August 05, 2011
Cabe em um só a luz e a sombra. Como é difícil aceitar que carregar a sombra não apaga a luz.
A sensibilidade deve ser apurada para se distinguir os momentos de luz e os momentos de sombra, de modo que se possa ganhar a energia do sol nos dias de claridade e se possa acender uma chama nos dias de trevas.
A sensibilidade deve ser apurada para se distinguir os momentos de luz e os momentos de sombra, de modo que se possa ganhar a energia do sol nos dias de claridade e se possa acender uma chama nos dias de trevas.
Thursday, August 04, 2011
Tuesday, August 02, 2011
Monday, August 01, 2011
Friday, July 29, 2011

Mesmo no meio da tristeza há beleza. Essa beleza, mais do importância estética, tem um significado imenso e acalentador. Mostra que o caos está dentro de você e que o mundo continua vibrando de forma equilibrada lá fora. É preciso coragem para olhar e humildade para identificar o belo e reconhecer que a vida continua de portas abertas.
Um ser humano pode morrer de sede no meio do mar. Se ele não morrer desidratado, significa que o desejo foi maior que a lucidez e ele bebeu água salgada. A morte não será de sede, mas não será menos sofrida.
Que seja sede, então. E que eu seja forte para aguentar cada efeito ruim da falta de água doce sem perder a esperança de encontrar paz.
Que seja sede, então. E que eu seja forte para aguentar cada efeito ruim da falta de água doce sem perder a esperança de encontrar paz.
Friday, July 22, 2011
O barulho é tão grande que me impede de distinguir os sons, as letras e palavras. Sei que algo foi dito e provavelmente repetido várias vezes, mas todos os pensamentos do mundo resolveram batucar na minha cabeça, fazendo zunir meus ouvidos.
Nesse ponto me pareço com Schopenhauer. Tenho medo do barulho porque ele me impede de pensar claramente.
Nesse ponto me pareço com Schopenhauer. Tenho medo do barulho porque ele me impede de pensar claramente.
Tuesday, July 12, 2011
Por que as pessoas esperam por coisas impossíveis de acontecerem? Deve ser o que alguns chamam de fé e que outros, mais centrados provavelmente, chamam de cegueira, alienação ou negação.
O rio não corre para cima, cachorros não falam e um ser humano não consegue abandonar sua verdadeira natureza.
Falo por mim. Não faço uma coisa simplesmente porque é o certo fazê-lo ou porque é decente realizá-lo. Eu vivo em negação. Se me reconheço assim, por que esperar que um semelhante aja diferente?
O rio não corre para cima, cachorros não falam e um ser humano não consegue abandonar sua verdadeira natureza.
Falo por mim. Não faço uma coisa simplesmente porque é o certo fazê-lo ou porque é decente realizá-lo. Eu vivo em negação. Se me reconheço assim, por que esperar que um semelhante aja diferente?
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