Comecei a escrever mais uma estóriazinha desprentensiosa como o diminutivo já bem sugere. Seria (ou é) algo sobre dois super heróis com super poderes distintos. Num dado parágrafo da vida, por uma eventualidade, um dos super heróis se depara com a necessidade real porém corriqueira de pegar emprestado o super poder do seu colega.
A escrita estava fluindo com ritmo até alcançar esse ponto e dele não consigo sair. Já voltei e mudei o gênero da dupla, mas isso não me fez caminhar pra frente. Retrocedi novamente e mudei os super poderes dos dois. Também não houve avanço.
Tá amarrado e não posso contar com a ajuda de nenhum pastor.
Não que exista um dilema entre os dois personagens. Não há. O nó é meu. Pré julguei que nenhum herói emprestaria aquilo que lhe distingue sem um motivo proporcional ao seu heroísmo e esse não era o caso. Para justificar o empréstimo sem heroísmo eu pensei em desapego. Mudei o super poder de um deles porque baseada em outro preconceito, estabeleci que um sujeito que aceita ser chamado de "super" alguma coisa não poderia ser desapegado. Continuou não dando "liga" e pensei num segundo motivo para justificar o empréstimo de sua força, de seu poder sem atos heróicos - o amor. Sim, o amor poderia justificar o empréstimo e mudei o gênero de um herói porque era mais fácil atender o convencional já que a estória estava complicada por demais. Mudando de gênero o credor dos poderes parecia um herói salvando sua donzela. Troquei o credor e a heroína parecia uma Helena do Manoel Carlos.
Como os personagens dessa estória não me ajudam, estou num embate pessoal contra meus preconceitos para ver surgir um herói desapegado de seu ego. Quando pareço progredir, me deparo com um herói atormentado pela devolução de seus poderes, por saber que o outro já esteve no seu lugar e foi tão especial quanto ele próprio fazendo escorrer pelo ralo a sensação dele ser único e por isso especial.
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Saturday, March 03, 2012
Saturday, January 28, 2012
Da série onde está o vilão
Era uma vez um menino
magrelo que morava num amontoado de barracos numa terra chamada Favela. Sua mãe
tinha nome de princesa e antes de completar duas décadas de reinado já tinha
trazido ao mundo quatro herdeiros, todos meninos como nosso menino magrelo. Ele
tinha um nome, mas mais importante do que isso ele tinha personalidade e por
isso lhe chamavam de Mijado.
Em Favela sempre se ouvia
barulho fosse dia ou fosse noite. Música, choro, tiro, riso ou grito. Uma
festa, alguns diriam.
Numa terra muito, muito distante
de Favela havia um menino rosado que vivia num amontoado de andares de prédios.
Esse reino era chamado Cidade da Higiene. Sua mãe tinha nome de santa e logo
depois de se realizar na profissão trouxe ao mundo um anjo cor de rosa, nosso
menino rosado. Ele tinha dois nomes, mas mais importante do que isso ele tinha
origem e por isso lhe chamavam de Junior.
Na Cidade da Higiene se
ouvia barulho durante o dia. Carro, moto, pássaros e o apito dos rádios dos
seguranças. Uma beleza, alguns diriam.
Mijado, como já foi dito,
tinha personalidade. Menino arteiro, desbocado que obviamente não dava pro
estudo como bem notou sua última professora. Tanto bateu, xingou e quebrou que
acabou fora da escola. A notícia não espantou a mãe-princesa que se encontrava
envolvida demais na tarefa de achar um novo sapo. Enquanto procurava nos brejos
não percebeu que Mijado deixara Favela para trás.
Junior, como já foi dito,
tinha dois nomes. No colégio lhe chamavam pelo primeiro. Na natação usavam o
segundo. Na aula de guitarra era mesmo o Juninho. Menino arteiro, desbocado que
obviamente precisava de muitas atividades para gastar o excesso de energia como
bem notou sua coordenadora pedagógica. Tanto estudou, nadou e tocou que acabou
estafado. A notícia preocupou a mãe-santa que se encontrava envolvida demais na
tarefa de ser promovida. Enquanto resolvia questões complexas pediu para Babá
levar Junior ao médico.
No caminho de Mijado surgiu
uma chance de ouro. Uma ilha livre cheia de criaturas mágicas a que deram o
nome de Terra dos Craques. Lá encontraria abrigo e viveria sonhos com outras
crianças que como ele não pertenciam a lugar algum. Mijado finalmente foi feliz
por incríveis quinze minutos. O mundo não poderia ser um lugar tão injusto. E
não era. Logo ele conseguiu mais quinze minutos, outros quinze e assim seguiu
sempre perambulando em busca de sua lasca iluminada com quinze minutos felizes.
De mãos dadas com Babá,
Junior seguia rumo ao consultório que ficava a dois quarteirões de sua casa.
Finalmente receberia cuidados para recuperar a saúde e voltar a ser o mesmo
Juninho de antes que estudava, nadava e tocava. Depois do médico a mãe deixaria
que ele finalmente jogasse o novo video game dado pelo pai. A vida não poderia
ser tão injusta. E não era. Logo ele foi atendido, recebeu vitaminas e um
pedido para exame de sangue.
Mijado estava ansioso pra
achar seus quinze minutos de felicidade.
Juninho estava ansioso pra
testar o novo video game.
Na esquina do consutório,
próximo do paraíso de um e da casa de outro, Mijado encontrou Juninho. Desse
encontro, por motivos diferentes, nenhum dos dois se lembrará, mas o povo de
todas as terras sim. E se perguntarão como foi possível.
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