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Saturday, September 29, 2012

Limitação

Lamento muito quando sinto minha percepção mais limitada do que o costumeiro. Sei que os sentidos pregam peças, mas também sei que tudo se parece com nada sem eles por perto. De qualquer forma, ainda bem que o dia de hoje ou a semana que chega ao fim não é um período de xilocaína.
Tenho visto amarelo e lavanda em flores metidas que insistem em enfrentar a agressividade de São Paulo. Ouvi coisas lindas e buzinas horrorosas. Passei frio na rua, passei frio embaixo do chuveiro pifado e me senti confortável com meus sapatos de lã. Conheci um bom brigadeiro e experimentei o melhor bloody mary de todos os tempos. Dormi daquela forma que quase nos tira a vontade de abrir os olhos. E sonhei. Sonhei com lugares lindos, sonhei com lugares da infância e recebi o conselho de meu pai.
Em tempos como esses sinto que posso ser o mundo mesmo que o mundo seja uma droga.

Monday, February 27, 2012

O terceiro foi aquele que a Tereza deu a mão

O sono da madrugada anterior me fazia tanta falta que larguei o Skype e a TNT deixando o Oscar pra outras pessoas que não precisassem tanto dormir como eu.
Eu precisava dormir. E dormi. Muito bem, obrigada.
Sonhei com um quarto novo e com a chegada de três meninas que conheço de fato. Elas vinham de algum acontecimento numa praia e estavam cansadas. 
A primeira que é com quem eu menos tenho intimidade tinha o cabelo preso no alto, usava um moleton preto e sentou-se exausta no chão ao lado da minha cama.
A segunda que é justamente a que eu tenho amizade usava camiseta branca e sentou ao pé de mim, na beira da cama.
A terceira que eu acho muito simpática também usava camiseta branca. Ela decidiu deitar-se ao meu lado e assim o fez, se protegendo com o edredon que me cobria. Como ela insistia em ficar muito próxima de mim eu levantei e apanhei um moleton cinza no armário. Ele tinha capuz e eu levei pra ela dizendo que sabia que ela sentia frio. Recebi um sorriso de volta e ajudei-a a se vestir
Deitei de novo e de novo recebi um abraço de concha. 

Friday, February 17, 2012

O saco de pipoca doce

Praia, praia e mais praia. Um chapéu de sol no comecinho da vida, fino e com duas únicas folhas verdes para fazer alguma sombra. Eu olhando, olhando e olhando sem saber o que procurar. Certamente não procurava a camiseta ou a parte de cima do biquini já que andava com o shortinho do pijama e peitos al aire sem muita preocupação. Não que não houvesse nenhuma preocupação. Havia, tanto que eu carregava dois sacos de pipoca doce, daquele tipo pink que são vendidos em botecos, para proteger os peitos, mas era algo quase despreocupado.
Perto de casa a areia era muito branca e o mar estava à minha direita. Meus braços iam ao longo do corpo, mas ainda carregavam os dois sacos de pipoca doce. Parecia luz da manhã e eu via barcos ancorados. No meio deles havia um movimento rápido e parei para apurar os olhos. Era um iate grande e rosa que quase voava perto da linha do horizonte. Não era pink como os sacos de pipoca, mas era rosa. Um rosa queimado se é que essa cor existe. Olhei e não vi nenhuma menção a Sula Miranda. Acordei.

Sunday, December 11, 2011

Como os golfinhos


Eu sempre desejei nadar como os golfinhos, saltando da água e dando piruetas no ar antes de voltar ao líquido de novo. Essa imagem vem na minha cabeça quando tenho insônia e preciso relaxar. Penso em voar, mas como tenho medo de altura eu me imagino voando sobre o mar, com a barriga quase encostando na água. Invariavelmente, acabo mergulhando na água e pulando como um golfinho.
Agora, o cara conseguiu desenvolver uma engenhoca que parece com meu sonho.


Friday, December 09, 2011

Alfabeto, cores & hoje
Fiz meu primeiro estudo de alfabeto com aquarela, sem "k" e sem branco. Minha expectativa é que isso faça algum bem para meus olhos escuros e minha mente angulada. Tenho caçado meu olhar absurdo e poético.
O dia não foi. Ele ainda é. Garoa e nuvens cinzas. Dia de funeral. 
Começou assim que acordei do meu sonho de praia, mochilas, voltas e barrancos. Ofereci ajuda para uma senhora, uma mãe com um cachorro pequeno no colo. Toda sua família estava na mesma margem do barranco que eu, mas ela estava presa pelo medo na margem oposta. Eu disse que poderia ir até lá ajudá-la, mas sua família disse que ela conseguiria atravessar. Uma camiseta pink com bolas também pink me chamou a atenção. Conheço aquela camiseta, mas feita em verde. Ela pertencia a uma moça. Provavelmente, filha da mulher amedrontada.
O dia seguiu seu curso no mundo dos que dormem acordados. Incrivelmente, de novo, eu queria muito ajudar alguém, mas não era necessário. 



Thursday, December 01, 2011

Noite passada sonhei com o menino mais lindo do mundo: cabelo castanho escuro, franja longa penteada para o lado, boca bem vermelha, camisa clara, quadriculada com linhas de cor vinho que combinava com a grava borboleta de mesma cor. O tempo todo me olhando com olhos atentos. Não tinha mais do que 6 anos. Não sorria, mas não era triste. Parecia ser simplesmente concentrado. E me olhava, olhava e olhava. 
Acordei com um desejo enorme de abraçá-lo, protegê-lo sei lá do quê.
Noite passada eu sonhei com o menino mais lindo do mundo.

Tuesday, November 01, 2011


Noite passada, antes de dormir, pensei na resposta para uma pergunta que me foi feita: que tipo de imagem me anima em dias de sol, ao invés de imagens para dias cinzentos.
Quanto mais eu pensava no tipo de imagem que eu gostava, mais a foto acima me vinha na memória. As cores e a quietude da foto batiam insistentemente na minha cabeça. A foto é de Fernando de Noronha e foi feita por mim em 2008.
Dei a resposta e fui dormir.
Sonhei a noite inteira com as praias de Noronha. Foi tudo tão gostoso e tão tátil que acordei mais leve.
Benditas sejam as coisas boas e belas que conhecemos na vida.

Saturday, October 08, 2011

Sonhar parece corriqueiro e deveria mesmo ser. Eu que tanto sonhei me incomodo com minhas fases sem escapadas noturnas. Normalmente, essas fases são associadas a períodos de desconexão com algo que nem sei o que é. Só sei dizer que algo fica desligado em mim.
Como diria o Herbert, a noite passada eu sonhei com você. Cabelos loiros com cachos leves. Olhos verdes e sorriso aberto. Parecia um domingo do passado em que eu cruzava com você saindo da praia em frente ao Joinville. Quase pude ouvir a sua voz, mas no sonho você só me mostrava os dentes num riso doce.
Acordei feliz. Por ter sonhado. Por ter sonhado com você. Por ter recebido um sorriso tão bonito. 
E, do nada, me lembrei que seu aniversário também é no dia 4 de fevereiro.