Wednesday, October 19, 2011

Contrariando todas as minhas expectativas, não passei no exame médico e não tenho mais perspectiva de começar em um novo emprego.
O motivo? A médica que mal me olhou na cara e que não se sentia confortável sem um parecer de um ortopedista disse que talvez eu tivésse LER. O engraçado é que essa médica pertence a mesma empresa que fez meu exame periódico e meu demissional algumas semanas atrás. Naquela ocasião, o médico também não olhou na minha cara, mas disse que eu estava apta para o trabalho e apta para o desligamento.
Como eu estou? Frustrada, com raiva, me questionando o motivo de coisas tão desagradáveis estarem acontecendo comigo quase que uma atrás da outra.
Acho que das três sensações, a que vale a pena eu me apegar é com a raiva. Estou de saco cheio da vida, das pessoas que me fazem sofrer e dessa atitude imbecil de monge budista que fica esperando pacientemente por uma compreensão maior das coisas. Eu não sou monja, não sou budista e provavelmente meu melhor lado seja o meu pior lado. O lado da guerra, da força, da reação.
Cansei. Parece que a vida quer me cutucar e eu quero que ela vá a merda. Quero que ela e todo mundo que me faz sofrer vá se foder nos quintos dos infernos.

Saturday, October 15, 2011

Um constante estado de alerta que dificulta a entrega completa a qualquer atividade, coisa ou pessoa.
Concordei plenamente com essa descrição. Poucos dias depois, com leituras, respirações e gentileza, abracei genuinamente o desejo de me aperfeiçoar para meu próprio prazer e benefício.
Estranho que um conceito tão óbvio não tenha me sensibilizado antes, mas creio que os ensinamentos só são absorvidos quando estamos preparados.
Impossível fazer sonetos antes de ser alfabetizado.

Friday, October 14, 2011

Ontem, próximo do final da tarde, recebi uma notícia boa e revigorante. Farei exames médicos na terça-feira e devo começar a trabalhar na semana seguinte, no dia 26.
Esperei essa notícia com certa ansiedade, depois com receio, para enfim acalmar meus pensamentos e entender que esse ou outro emprego surgiriam na hora correta.
Se eu fosse contratada em julho, sem uma descompressão, carregaria comigo todo o peso de meu antigo emprego e não me apresentaria desarmada. Se a vaga tivesse sido fechado em agosto ou setembro, levaria comigo toda a tensão e depois a tristeza por conta das feridas que meu antigo relacionamento abriu em mim. Nas primeiras semanas de outubro eu ainda chorava e ter tempo livre para ser cuidada pela minha mãe ou para me concentrar na reconstrução da minha auto-estima e da minha força interior com intervenções da fisioterapia, terapia e meditação foi fundamental.
Ansiedade e impaciência são defeitos que reconheço em mim desde a mais tenra infância. Receber, perceber e relatar uma lição como essa que a vida me deu é um estímulo extra para permanecer observando meu comportamento, acreditar na roda da vida e cultivar a paciência.
Dúvidas não são um mal a ser combatido. Elas devem ser vistas como uma dádiva em certos momentos como o atual. Ao invés de lutar contra elas eu devo dedicar tempo analisando aquilo que as provoca.
Aceito a dúvida porque não tenho motivos para ter certeza.

Thursday, October 13, 2011

Meu terapeuta, dr. Dimas, é uma pessoa com um talento enorme para desvendar a alma humana. Tenho ciência da sorte que possuo por tê-lo encontrado nessa fase de coincidências e oportunidades tão boas que a vida vem me apresentando.
Hoje ele falou uma coisa tão simples que chega a ser idiota. Essa coisa óbvia também me encontrou ontem quando lia sobre o Budismo. A vida é feita de amor e de dor, de alegria e de tristeza: dukha. Tentar evitar a tristeza é evitar a vida, a alegria que sempre vem depois.

Tuesday, October 11, 2011

Gentileza é artigo raro e quase de luxo. O curioso é que fui criada cultivando a gentileza e por isso ela sai de mim naturalmente, além de me fazer falta vez ou outra. Só que na selva onde vivo, a gentileza é quase sempre confundida - babaquice, flerte, interesses diversos.
É muito cansativo viver uma vida em que nossas ações devem ser calculadas para que não sejamos incorretamente julgados. Acho que prefiro o isolamento.

Monday, October 10, 2011

Comecei a ler sobre Budismo e apesar de conhecer muito pouco, o tom sereno dos ensinamentos que li é bom. Parece uma doutrina que não causa ansiedade.
Religião parece ser um tema intrigante na minha vida e isso está no meu mapa astral. Acredito em muitas coisas que aprendi com meu pai e ao mesmo tempo duvido de tudo.
De qualquer forma, quero ter um esteio que me equilibre a cada vez que constato a fragilidade do mundo que chamo de real. Preciso apenas me sentir confortável com esse esteio.
Minha favorita do novo álbum do Wilco.

Saturday, October 08, 2011

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Gosto de cover, gosto da música e adoro a Lykke Li. Quase doeu ouví-la nessa versão.
Sonhar parece corriqueiro e deveria mesmo ser. Eu que tanto sonhei me incomodo com minhas fases sem escapadas noturnas. Normalmente, essas fases são associadas a períodos de desconexão com algo que nem sei o que é. Só sei dizer que algo fica desligado em mim.
Como diria o Herbert, a noite passada eu sonhei com você. Cabelos loiros com cachos leves. Olhos verdes e sorriso aberto. Parecia um domingo do passado em que eu cruzava com você saindo da praia em frente ao Joinville. Quase pude ouvir a sua voz, mas no sonho você só me mostrava os dentes num riso doce.
Acordei feliz. Por ter sonhado. Por ter sonhado com você. Por ter recebido um sorriso tão bonito. 
E, do nada, me lembrei que seu aniversário também é no dia 4 de fevereiro.

Thursday, October 06, 2011

A Brisa tem passado muito tempo com as orelhas para trás. Ela costuma fazer isso quando está feliz e quer ganhar carinho.
A presença de um ser vivo que não seja um adulto cheio de travas faz bem a casa da minha mãe. Ela sorri bastante mesmo quando finge brigar com a vira latas magrela. Prepara frango especialmente para a cachorra e sorri aberto quando a Brisa joga-lhe o bolão no colo.

Tuesday, October 04, 2011

O tempo livre tem servido para os exercícios que talvez eu possa chamar de meditação e para música. Música nova, música velha, música (?) na minha guitarra. Carinho na audição!

Monday, October 03, 2011

Admiro a coragem daqueles que odeiam sem culpas.

Admiro a sabedoria daqueles que perdoam sem esforço.
Entrei na internet e vi duas manchetes: uma falava do temor de um homem gay durante o espancamento que ele e seu namorado sofreram na madrugada de sábado; a outra falava sobre a morte de um homem de 33 anos que discutiu com um segurança de agência bancária.
Alienação ou não, decidi não clicar em nenhuma das duas matérias. Ao invés de buscar os detalhes dos dois casos, preferi refletir sobre o que quer que viesse a minha mente.
Here I am.
Parece mesmo que tudo é dois. Alegria e tristeza, paz e guerra, amor e ódio. Deve ser assim mesmo, mas continuo sofrendo do mal de não aceitar essa condição passivamente. Permaneço procurando um remédio, um antídoto que me permita viver bem num mundo onde tudo é dois, mas que ao mesmo tempo me deixe manter a fé de que podemos criar um mundo onde tudo é um.

Friday, September 30, 2011

Faz tempo que o dia não amanhece tão bonito. Ou que meus olhos não ficam tão abertos.
Só que meus olhos estão abertos e o dia está ensolarado.
Os poucos acordes que dedilho na guitarra soaram como música. O pelo limpo da Brisa está macio e o short velho que peguei no guarda roupas cheira como tranquilidade.
Parece que uma página foi virada no calendário, indicando que minha primavera começou.

Tuesday, September 27, 2011

O ar gelado desperta meus sentidos. Atenção voltada para o corpo e a respiração.

Tuesday, September 13, 2011

Os exercicios de respiracao que tenho aprendido se revelam como praticas extremamente prazerosas nos ultimos dias. Com eles me acalmo e pareco acessar um outro lugar, mesmo que por alguns minutos. Talvez eu esteja comecando a entender a pratica da observacao interior.

Friday, September 09, 2011

No meio do caminho perdi o respeito por mim. Caminhando eu sentia que algo estava diferente, mas não identificava o que. Quase no fim da trilha eu pensei que fosse o amadurecimento que me fazia andar diferente. Quando cheguei ao final da viagem, não estava onde pensei que estaria. Olhei ao meu redor e nada era familiar. Toquei minhas mãos, minhas pernas e meu peito. Eu ainda era eu, mas não era a mesma pessoa e não era alguém que gostaria de ser depois de tanto chão percorrido. Busquei minha bagagem sem encontrar mapa ou bússola. No meio do caminho perdi o respeito por mim.

Thursday, September 08, 2011

Tenho a sensação de que resta só uma dívida: comigo mesma. Ela é grande, assim como a disposição para quitá-la.

Tuesday, September 06, 2011

Saco vazio não para em pé. E de um saco vazio não é possível obter-se nada.
Vazio.