Se pela manhã os acontecimentos corriqueiros me mostraram que a vida é assim cheia de beleza e destruição gratuitos, a tarde me mostra que a vida também é assim cheia de versões paraguaias que atendem por nomes próprios e caminham sobre duas pernas.
O laranja é o novo preto? Então, gosto de laranja. Criolo é o novo Chico? Sou fã número um. Meu melhor amigo dessa estação disse que a nova novela das seis é cult? Não vejo a hora da Malhação acabar.
A questão é que eu gosto de preto, acho o Chico uma merda de cantor e gostava mesmo era da novela das seis que acabou. Meu melhor amigo dessa estação já ocupa o posto há muitos carnavais e sabe que eu gosto do que gosto, mesmo que não seja moda, mesmo que não seja cool, mesmo que seja besta. E ele sabe que não gosto do que não gosto, mesmo que seja a última febre em Londres, mesmo que seja recomendação daquele cara que tem um milhão de seguidores no Twitter ou que seja dica daquela menina que falou do Pinterest antes de todo mundo. Foda-se!
Eu absorvo o mundo com meus sentidos. Recebo influências a todo instante, graças a Deus, mas o resultado final vem do meu senso crítico e não da preocupação constante em ser tão bacana como os novos bacanas que andam comigo.
Tuesday, March 06, 2012
Vida que segue
A luz natural abundante era o acessório de hoje de uma linda borboleta laranja. Nas bordas de suas asas a moldura branca realçava sua cor de Fanta.
Com a graça que cabe as criaturas lindas e delicadas ela capturou minha atenção, mas não foi apenas isso que ela tomou de assalto. A Brisa também ficou de quatro por ela. Menos pelas cores e mais pelo simples fato de voar. A Brisa adora coisas que voam.
E do encontro de Brisa com a graciosa borboleta colorida restou um par de asas sem movimento, estendido no chão. A borboleta já não era e a Brisa...bem, a Brisa me olhava com espanto depois de ouvir meu grito de não.
Com a graça que cabe as criaturas lindas e delicadas ela capturou minha atenção, mas não foi apenas isso que ela tomou de assalto. A Brisa também ficou de quatro por ela. Menos pelas cores e mais pelo simples fato de voar. A Brisa adora coisas que voam.
E do encontro de Brisa com a graciosa borboleta colorida restou um par de asas sem movimento, estendido no chão. A borboleta já não era e a Brisa...bem, a Brisa me olhava com espanto depois de ouvir meu grito de não.
Saturday, March 03, 2012
Orgulho e preconceito
Comecei a escrever mais uma estóriazinha desprentensiosa como o diminutivo já bem sugere. Seria (ou é) algo sobre dois super heróis com super poderes distintos. Num dado parágrafo da vida, por uma eventualidade, um dos super heróis se depara com a necessidade real porém corriqueira de pegar emprestado o super poder do seu colega.
A escrita estava fluindo com ritmo até alcançar esse ponto e dele não consigo sair. Já voltei e mudei o gênero da dupla, mas isso não me fez caminhar pra frente. Retrocedi novamente e mudei os super poderes dos dois. Também não houve avanço.
Tá amarrado e não posso contar com a ajuda de nenhum pastor.
Não que exista um dilema entre os dois personagens. Não há. O nó é meu. Pré julguei que nenhum herói emprestaria aquilo que lhe distingue sem um motivo proporcional ao seu heroísmo e esse não era o caso. Para justificar o empréstimo sem heroísmo eu pensei em desapego. Mudei o super poder de um deles porque baseada em outro preconceito, estabeleci que um sujeito que aceita ser chamado de "super" alguma coisa não poderia ser desapegado. Continuou não dando "liga" e pensei num segundo motivo para justificar o empréstimo de sua força, de seu poder sem atos heróicos - o amor. Sim, o amor poderia justificar o empréstimo e mudei o gênero de um herói porque era mais fácil atender o convencional já que a estória estava complicada por demais. Mudando de gênero o credor dos poderes parecia um herói salvando sua donzela. Troquei o credor e a heroína parecia uma Helena do Manoel Carlos.
Como os personagens dessa estória não me ajudam, estou num embate pessoal contra meus preconceitos para ver surgir um herói desapegado de seu ego. Quando pareço progredir, me deparo com um herói atormentado pela devolução de seus poderes, por saber que o outro já esteve no seu lugar e foi tão especial quanto ele próprio fazendo escorrer pelo ralo a sensação dele ser único e por isso especial.
A escrita estava fluindo com ritmo até alcançar esse ponto e dele não consigo sair. Já voltei e mudei o gênero da dupla, mas isso não me fez caminhar pra frente. Retrocedi novamente e mudei os super poderes dos dois. Também não houve avanço.
Tá amarrado e não posso contar com a ajuda de nenhum pastor.
Não que exista um dilema entre os dois personagens. Não há. O nó é meu. Pré julguei que nenhum herói emprestaria aquilo que lhe distingue sem um motivo proporcional ao seu heroísmo e esse não era o caso. Para justificar o empréstimo sem heroísmo eu pensei em desapego. Mudei o super poder de um deles porque baseada em outro preconceito, estabeleci que um sujeito que aceita ser chamado de "super" alguma coisa não poderia ser desapegado. Continuou não dando "liga" e pensei num segundo motivo para justificar o empréstimo de sua força, de seu poder sem atos heróicos - o amor. Sim, o amor poderia justificar o empréstimo e mudei o gênero de um herói porque era mais fácil atender o convencional já que a estória estava complicada por demais. Mudando de gênero o credor dos poderes parecia um herói salvando sua donzela. Troquei o credor e a heroína parecia uma Helena do Manoel Carlos.
Como os personagens dessa estória não me ajudam, estou num embate pessoal contra meus preconceitos para ver surgir um herói desapegado de seu ego. Quando pareço progredir, me deparo com um herói atormentado pela devolução de seus poderes, por saber que o outro já esteve no seu lugar e foi tão especial quanto ele próprio fazendo escorrer pelo ralo a sensação dele ser único e por isso especial.
Wednesday, February 29, 2012
Loucura
No meio dos meus pensamentos eu me perco às vezes e acabo concluindo que sou desequilibrada ou como é mais corriqueiro dizer, sou louca.
Ser humano egocêntrico.
A grande verdade é que não sou tão especial assim em termos de loucura. A vida me apresenta uns personagens muito mais insanos do que eu. Gente com transtorno grave de personalidade com ciclos que podem durar minutos ou anos.
É sério mesmo.
Aquela pessoa que te conta um drama de proporções épicas num minuto e que horas depois não se lembra do que falou e ri histéricamente quando te mostra uma foto de celebridades no Carnaval. Alguém que te chama pra perto e que depois te afasta meio que surpreso por estar ao lado de uma desconhecida de anos que no caso sou eu. Gente que gosta de acumular coisas e pessoas que parecem coisas mesmo não tendo espaço ou utilidade para nenhuma das duas coisas.
Na linguagem cotidiana loucura atua como sinônino de várias palavras.
Ser humano egocêntrico.
A grande verdade é que não sou tão especial assim em termos de loucura. A vida me apresenta uns personagens muito mais insanos do que eu. Gente com transtorno grave de personalidade com ciclos que podem durar minutos ou anos.
É sério mesmo.
Aquela pessoa que te conta um drama de proporções épicas num minuto e que horas depois não se lembra do que falou e ri histéricamente quando te mostra uma foto de celebridades no Carnaval. Alguém que te chama pra perto e que depois te afasta meio que surpreso por estar ao lado de uma desconhecida de anos que no caso sou eu. Gente que gosta de acumular coisas e pessoas que parecem coisas mesmo não tendo espaço ou utilidade para nenhuma das duas coisas.
Na linguagem cotidiana loucura atua como sinônino de várias palavras.
Monday, February 27, 2012
O terceiro foi aquele que a Tereza deu a mão
O sono da madrugada anterior me fazia tanta falta que larguei o Skype e a TNT deixando o Oscar pra outras pessoas que não precisassem tanto dormir como eu.
Eu precisava dormir. E dormi. Muito bem, obrigada.
Sonhei com um quarto novo e com a chegada de três meninas que conheço de fato. Elas vinham de algum acontecimento numa praia e estavam cansadas.
A primeira que é com quem eu menos tenho intimidade tinha o cabelo preso no alto, usava um moleton preto e sentou-se exausta no chão ao lado da minha cama.
A segunda que é justamente a que eu tenho amizade usava camiseta branca e sentou ao pé de mim, na beira da cama.
A terceira que eu acho muito simpática também usava camiseta branca. Ela decidiu deitar-se ao meu lado e assim o fez, se protegendo com o edredon que me cobria. Como ela insistia em ficar muito próxima de mim eu levantei e apanhei um moleton cinza no armário. Ele tinha capuz e eu levei pra ela dizendo que sabia que ela sentia frio. Recebi um sorriso de volta e ajudei-a a se vestir
Deitei de novo e de novo recebi um abraço de concha.
Eu precisava dormir. E dormi. Muito bem, obrigada.
Sonhei com um quarto novo e com a chegada de três meninas que conheço de fato. Elas vinham de algum acontecimento numa praia e estavam cansadas.
A primeira que é com quem eu menos tenho intimidade tinha o cabelo preso no alto, usava um moleton preto e sentou-se exausta no chão ao lado da minha cama.
A segunda que é justamente a que eu tenho amizade usava camiseta branca e sentou ao pé de mim, na beira da cama.
A terceira que eu acho muito simpática também usava camiseta branca. Ela decidiu deitar-se ao meu lado e assim o fez, se protegendo com o edredon que me cobria. Como ela insistia em ficar muito próxima de mim eu levantei e apanhei um moleton cinza no armário. Ele tinha capuz e eu levei pra ela dizendo que sabia que ela sentia frio. Recebi um sorriso de volta e ajudei-a a se vestir
Deitei de novo e de novo recebi um abraço de concha.
Friday, February 24, 2012
Thursday, February 23, 2012
"A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero"
Eu vi a imagem de alguém desesperado. Fiquei profundamente tocada.
Quis ajudar. Procurei em mim alguma coisa que pudesse ser dada assim como procuramos por uma distração ao ver um bebê chorar. Só tinha a roupa no corpo e não me ocorreu como qualquer uma das peças melhoraria aquela situação. Cogitei falar algo que desse alento, mas tudo soava estupidamente estéril. Me envergonhei e não tive coragem de falar do tempo, dos ciclos da vida ou da grandeza de possibilidades que a energia do mundo carrega. Para cada pensamento apressado e salvador que eu tinha havia um olhar repleto de uma verdade dolorida que me calava.
Eu vi os olhos de alguém sem esperança. Alguém que não buscava palavras. Alguém louco por um fato, um brilho, um símbolo de tempos melhores.
Fechei os meus olhos. Acho que por medo. Rezei em silêncio, mas não sei por quem.
* Victor Hugo é o motivo das aspas no título
Quis ajudar. Procurei em mim alguma coisa que pudesse ser dada assim como procuramos por uma distração ao ver um bebê chorar. Só tinha a roupa no corpo e não me ocorreu como qualquer uma das peças melhoraria aquela situação. Cogitei falar algo que desse alento, mas tudo soava estupidamente estéril. Me envergonhei e não tive coragem de falar do tempo, dos ciclos da vida ou da grandeza de possibilidades que a energia do mundo carrega. Para cada pensamento apressado e salvador que eu tinha havia um olhar repleto de uma verdade dolorida que me calava.
Eu vi os olhos de alguém sem esperança. Alguém que não buscava palavras. Alguém louco por um fato, um brilho, um símbolo de tempos melhores.
Fechei os meus olhos. Acho que por medo. Rezei em silêncio, mas não sei por quem.
* Victor Hugo é o motivo das aspas no título
Record Club
Eu curto o projeto e tudo, mas quem me pegou pelo...ah, estômago vai, foi essa versão.
Coisa mais sexy.
Coisa mais sexy.
Você tem medo de quê?
Muitos anos atrás meu pai teve um AVC. Estranhei ver o meu irmão na porta do curso de inglês, mas não desconfiei na hora. Ele foi cuidadoso e só quando estávamos perto do hospital é que ele me avisou que teríamos que fazer uma parada rápida porque nosso pai tinha passado um pouco mal e estava internado por conta do tal derrame.
Meu grande medo era ver meu pai sem sua lucidez, seu pensamento extremamente veloz, sem uma de suas duas super qualidades, a inteligência que disputava arduamente com sua generosidade.
Acho que eu quase corria pelos corredores e quando o vi deitado no meio de enfermeiros e aparelhos tive vontade instantânea de chorar. Me aproximei e ele estava fazendo uma conta em voz alta. Somando, dividindo e passando o resultado certo para a enfermeira. Eu sorri chorando
Eu tinha medo de ver a inteligência do meu pai presa num corpo que não soubesse expressá-la.
Meu pai já partiu. Outros medos ficaram por aqui.
Meu grande medo era ver meu pai sem sua lucidez, seu pensamento extremamente veloz, sem uma de suas duas super qualidades, a inteligência que disputava arduamente com sua generosidade.
Acho que eu quase corria pelos corredores e quando o vi deitado no meio de enfermeiros e aparelhos tive vontade instantânea de chorar. Me aproximei e ele estava fazendo uma conta em voz alta. Somando, dividindo e passando o resultado certo para a enfermeira. Eu sorri chorando
Eu tinha medo de ver a inteligência do meu pai presa num corpo que não soubesse expressá-la.
Meu pai já partiu. Outros medos ficaram por aqui.
Wednesday, February 22, 2012
Oh quanto riso
Noite de terça na Track Towers me lembrando que eu já gostei muito de pular Carnaval. Mais um pouquinho e eu lembraria que já gostei muito de outras coisas também.
Friday, February 17, 2012
O saco de pipoca doce
Praia, praia e mais praia. Um chapéu de sol no comecinho da vida, fino e com duas únicas folhas verdes para fazer alguma sombra. Eu olhando, olhando e olhando sem saber o que procurar. Certamente não procurava a camiseta ou a parte de cima do biquini já que andava com o shortinho do pijama e peitos al aire sem muita preocupação. Não que não houvesse nenhuma preocupação. Havia, tanto que eu carregava dois sacos de pipoca doce, daquele tipo pink que são vendidos em botecos, para proteger os peitos, mas era algo quase despreocupado.
Perto de casa a areia era muito branca e o mar estava à minha direita. Meus braços iam ao longo do corpo, mas ainda carregavam os dois sacos de pipoca doce. Parecia luz da manhã e eu via barcos ancorados. No meio deles havia um movimento rápido e parei para apurar os olhos. Era um iate grande e rosa que quase voava perto da linha do horizonte. Não era pink como os sacos de pipoca, mas era rosa. Um rosa queimado se é que essa cor existe. Olhei e não vi nenhuma menção a Sula Miranda. Acordei.
Thursday, February 16, 2012
Na padaria e na lua
Eu precisava de um abrigo para entrar no Skype e falar com o pessoal da agência tranquilamente. Ademais, depois da consulta médica e antes do jogo, sentar na padaria me parecia melhor opção do que voltar pra casa.
Estava na região e escolhi a Bella Paulista. Pra que fique claro qualquer viés que surja nas próximas palavras, eu adoro pão. Certamente, esse é o motivo para não gostar da famosa padaria que fica na Haddock Lobo. Ela é grande, bem iluminada, cheia de opções, fica aberta na madrugada, mas seu pão francês é uma porcaria. Simples assim, o pão nosso de cada dia feito naqueles fornos é uma lástima e afirmo isso sem remorso algum depois de ter tentado mais de 10 vezes, todas sem sucesso. Acho que era o caso de trocar o nome de padaria pra lanchonete e minha simpatia por eles mudaria completamente.
Sentei numa mesa do salão próxima da janela e do buffet de sopas. Dei mais uma chance para o pão francês com manteiga, fora da chapa, mas não vou me repetir nesse assunto. Fui atendida por um rapaz simpático que usava óculos com uma dessas armações marcantes. Ele tentava trabalhar com eficiência, mas perdia a concentração à medida que olhava as mesas cheias de personagens interessantes ou não. Imaginei que era um sonhador e que teria milhares de estórias pra me contar.
Estava na região e escolhi a Bella Paulista. Pra que fique claro qualquer viés que surja nas próximas palavras, eu adoro pão. Certamente, esse é o motivo para não gostar da famosa padaria que fica na Haddock Lobo. Ela é grande, bem iluminada, cheia de opções, fica aberta na madrugada, mas seu pão francês é uma porcaria. Simples assim, o pão nosso de cada dia feito naqueles fornos é uma lástima e afirmo isso sem remorso algum depois de ter tentado mais de 10 vezes, todas sem sucesso. Acho que era o caso de trocar o nome de padaria pra lanchonete e minha simpatia por eles mudaria completamente.
Sentei numa mesa do salão próxima da janela e do buffet de sopas. Dei mais uma chance para o pão francês com manteiga, fora da chapa, mas não vou me repetir nesse assunto. Fui atendida por um rapaz simpático que usava óculos com uma dessas armações marcantes. Ele tentava trabalhar com eficiência, mas perdia a concentração à medida que olhava as mesas cheias de personagens interessantes ou não. Imaginei que era um sonhador e que teria milhares de estórias pra me contar.
Tuesday, February 14, 2012
Feliz aniversário
Hoje foi o aniversário da minha melhor amiga de infância.
Estudamos juntas da segunda até a oitava série quando ela mudou de escola. Frequentávamos o mesmo clube, íamos na matinê todo domingo e no auge da nossa adolescência eu topava andar da posto 5 ao posto 2 para ela ver o paquera na praia.
Vim para São Paulo fazer faculdade, ela se casou com um ex ficante meu e nos perdemos daquele tempo de unha e carne. O lado bom de ter memória é lembrar de histórias tão antigas e ainda guardar com carinho uma data de aniversário de uma pessoa que não vejo há anos.
Monday, February 13, 2012
CéU
Confesso que eu curto essa coisinha de bolero.
O novo trabalho da CéU é muito bom e um alívio pra mim que nunca gostei de Vagarosa.
Baile da Ilusão numa disputa pau a pau com Chegava em Mim pra ver qual é a melhor faixa do CD.
O novo trabalho da CéU é muito bom e um alívio pra mim que nunca gostei de Vagarosa.
Baile da Ilusão numa disputa pau a pau com Chegava em Mim pra ver qual é a melhor faixa do CD.
Sunday, February 12, 2012
Receita de bolo
Não sei se é o tempo em que vivemos ou se sempre foi assim. Existe toda uma sorte de boleiros - profissionais, mães e amadores - prontos para lhe dar uma receita de como fazer a coisa certa.
Queria conhecer uma pessoa que estando com sede não busque a água que está ao alcance de seus olhos ou que castigado e enfraquecido pelo sol não deseje a sombra. Alguém que tenha medo de se afogar e não tente alcançar uma tábua de salvação ou que tendo conhecido muita felicidade numa situação não tente perpetuá-la ou mesmo repití-la.
Meu bolo favorito é o de fubá. Já comi muitos pedaços e de vários boleiros diferentes. Os melhores foram preparados sem receitas, por pessoas que simplesmente sabiam o que estavam fazendo. Conheciam os ingredientes, as medidas, os segredinhos e o tempo certo de preparo.
Queria conhecer uma pessoa que estando com sede não busque a água que está ao alcance de seus olhos ou que castigado e enfraquecido pelo sol não deseje a sombra. Alguém que tenha medo de se afogar e não tente alcançar uma tábua de salvação ou que tendo conhecido muita felicidade numa situação não tente perpetuá-la ou mesmo repití-la.
Meu bolo favorito é o de fubá. Já comi muitos pedaços e de vários boleiros diferentes. Os melhores foram preparados sem receitas, por pessoas que simplesmente sabiam o que estavam fazendo. Conheciam os ingredientes, as medidas, os segredinhos e o tempo certo de preparo.
Saturday, February 11, 2012
TPM
Na data de hoje reconheço que sofro de crises terríveis de TPM. Passei dois dias miseráveis e acho que seja a hora de buscar uma solução já que ninguém nasceu pra ser infeliz, mesmo que só por dois dias.
Sono bom
Dormir com aquele barulhinho de chuva foi restaurador.
Aprendi um exercício novo que pode ser feito a qualquer momento, mas que no meu caso será usado sempre que o corpo estiver cansado demais para sustentar minha meditação. Consiste em deitar-se, colocar a mão sobre o coração e perceber o que acontece naquela região. Se está quente ou frio, se existe espaço, se surge alguma emoção.
Com a chuva caindo e a atenção lentamente se concentrando no meu peito, encontrei o sossego. Depois foi só dormir em paz.
Aprendi um exercício novo que pode ser feito a qualquer momento, mas que no meu caso será usado sempre que o corpo estiver cansado demais para sustentar minha meditação. Consiste em deitar-se, colocar a mão sobre o coração e perceber o que acontece naquela região. Se está quente ou frio, se existe espaço, se surge alguma emoção.
Com a chuva caindo e a atenção lentamente se concentrando no meu peito, encontrei o sossego. Depois foi só dormir em paz.
Friday, February 10, 2012
Animação
Eu queria fazer uma animação em preto, vermelho e branco.
Diferentes formas brancas cairiam dentro do preto e aos poucos seriam absorvidas até que restasse apenas um negrume absoluto. O movimento se repetiria enquanto o tempo transcorresse. Devagar, uma forma vermelha começaria a ser vista e cairia no preto. Diferente do branco, o vermelho não se fundiria com a ausência de luz e ficaria ali a vista de todos. Incomodando e agradando.
Diferentes formas brancas cairiam dentro do preto e aos poucos seriam absorvidas até que restasse apenas um negrume absoluto. O movimento se repetiria enquanto o tempo transcorresse. Devagar, uma forma vermelha começaria a ser vista e cairia no preto. Diferente do branco, o vermelho não se fundiria com a ausência de luz e ficaria ali a vista de todos. Incomodando e agradando.
Tuesday, February 07, 2012
Monday, February 06, 2012
Filosofia de AXN
"A adversidade é como um vento forte. Arranca de nós tudo, menos o que não nos pode ser tirado, de maneira que nos vemos exatamente como somos" by Arthur Golden.
O que ficou pode ser frágil, pode ser desconhecido, pode estar num lugar trancado, mas nem o vento forte foi capaz de arrancá-lo que é para que você não se perca de sí.
Wednesday, February 01, 2012
Saturday, January 28, 2012
Da série onde está o vilão
Era uma vez um menino
magrelo que morava num amontoado de barracos numa terra chamada Favela. Sua mãe
tinha nome de princesa e antes de completar duas décadas de reinado já tinha
trazido ao mundo quatro herdeiros, todos meninos como nosso menino magrelo. Ele
tinha um nome, mas mais importante do que isso ele tinha personalidade e por
isso lhe chamavam de Mijado.
Em Favela sempre se ouvia
barulho fosse dia ou fosse noite. Música, choro, tiro, riso ou grito. Uma
festa, alguns diriam.
Numa terra muito, muito distante
de Favela havia um menino rosado que vivia num amontoado de andares de prédios.
Esse reino era chamado Cidade da Higiene. Sua mãe tinha nome de santa e logo
depois de se realizar na profissão trouxe ao mundo um anjo cor de rosa, nosso
menino rosado. Ele tinha dois nomes, mas mais importante do que isso ele tinha
origem e por isso lhe chamavam de Junior.
Na Cidade da Higiene se
ouvia barulho durante o dia. Carro, moto, pássaros e o apito dos rádios dos
seguranças. Uma beleza, alguns diriam.
Mijado, como já foi dito,
tinha personalidade. Menino arteiro, desbocado que obviamente não dava pro
estudo como bem notou sua última professora. Tanto bateu, xingou e quebrou que
acabou fora da escola. A notícia não espantou a mãe-princesa que se encontrava
envolvida demais na tarefa de achar um novo sapo. Enquanto procurava nos brejos
não percebeu que Mijado deixara Favela para trás.
Junior, como já foi dito,
tinha dois nomes. No colégio lhe chamavam pelo primeiro. Na natação usavam o
segundo. Na aula de guitarra era mesmo o Juninho. Menino arteiro, desbocado que
obviamente precisava de muitas atividades para gastar o excesso de energia como
bem notou sua coordenadora pedagógica. Tanto estudou, nadou e tocou que acabou
estafado. A notícia preocupou a mãe-santa que se encontrava envolvida demais na
tarefa de ser promovida. Enquanto resolvia questões complexas pediu para Babá
levar Junior ao médico.
No caminho de Mijado surgiu
uma chance de ouro. Uma ilha livre cheia de criaturas mágicas a que deram o
nome de Terra dos Craques. Lá encontraria abrigo e viveria sonhos com outras
crianças que como ele não pertenciam a lugar algum. Mijado finalmente foi feliz
por incríveis quinze minutos. O mundo não poderia ser um lugar tão injusto. E
não era. Logo ele conseguiu mais quinze minutos, outros quinze e assim seguiu
sempre perambulando em busca de sua lasca iluminada com quinze minutos felizes.
De mãos dadas com Babá,
Junior seguia rumo ao consultório que ficava a dois quarteirões de sua casa.
Finalmente receberia cuidados para recuperar a saúde e voltar a ser o mesmo
Juninho de antes que estudava, nadava e tocava. Depois do médico a mãe deixaria
que ele finalmente jogasse o novo video game dado pelo pai. A vida não poderia
ser tão injusta. E não era. Logo ele foi atendido, recebeu vitaminas e um
pedido para exame de sangue.
Mijado estava ansioso pra
achar seus quinze minutos de felicidade.
Juninho estava ansioso pra
testar o novo video game.
Na esquina do consutório,
próximo do paraíso de um e da casa de outro, Mijado encontrou Juninho. Desse
encontro, por motivos diferentes, nenhum dos dois se lembrará, mas o povo de
todas as terras sim. E se perguntarão como foi possível.
Friday, January 27, 2012
Caderno
A adrenalina não diminui e bebi o suficiente para ponderar que não é bom meditar neste estado.
Cadernos, blocos de papel e folhas soltas. Sempre tenho um deles ao alcance das mãos.
O chato é que ultimamente só consigo rabiscar palavras e mais palavras sobre mim e aquilo que vai dentro da minha cabecinha dura: uma corrida louca para me distanciar do que já foi e alcançar o que será. Sei que nessa corrida não posso ser melhor do que o Rubinho.
Escrever sobre outras coisas é um sintoma. Sinal de que o movimento continua, mas não a corrida.
Cadernos, blocos de papel e folhas soltas. Sempre tenho um deles ao alcance das mãos.
O chato é que ultimamente só consigo rabiscar palavras e mais palavras sobre mim e aquilo que vai dentro da minha cabecinha dura: uma corrida louca para me distanciar do que já foi e alcançar o que será. Sei que nessa corrida não posso ser melhor do que o Rubinho.
Escrever sobre outras coisas é um sintoma. Sinal de que o movimento continua, mas não a corrida.
Thursday, January 26, 2012
O tempo de cada coisa
Sou impaciente. Cada dia menos, mas é preciso conhecer seus adversários para poder vencê-los e a impaciência habita em mim desde que eu me lembro de ser eu.
"Não te impacientes"...quantas vezes ouvi essa frase sair da boca do meu pai?! Houve época em que ouvir alguém me aconselhando a ter paciência acabava com o restinho dela que eu ainda pudesse ter.
Que bom que o tempo passa e que de uma forma ou de outra eu aceito que ele me mude. Nem sempre eu mudo no tempo que minha impaciência tolera, mas eu mudo no tempo que minha paciência consegue. E o clichê tá certo, cada coisa tem mesmo seu tempo.
A Brisa chegou em casa menor do que meu chinelo 35. Por mais que incomodasse, ela chorava, sujava a casa e roía as coisas. Detestava colo e passava mal em todo passeio de carro, por mais curto que fosse.
Hoje ela é uma magrela enorme. Só chora pra ganhar carinho ou subir no colo, faz seu cocô no lugar certinho e virou uma senhora maria gasolina.
Ela não cresceu em função da minha vontade por mais que eu tenha a presunção de querer controlar as variáveis da vida.
"Não te impacientes"...quantas vezes ouvi essa frase sair da boca do meu pai?! Houve época em que ouvir alguém me aconselhando a ter paciência acabava com o restinho dela que eu ainda pudesse ter.
Que bom que o tempo passa e que de uma forma ou de outra eu aceito que ele me mude. Nem sempre eu mudo no tempo que minha impaciência tolera, mas eu mudo no tempo que minha paciência consegue. E o clichê tá certo, cada coisa tem mesmo seu tempo.
A Brisa chegou em casa menor do que meu chinelo 35. Por mais que incomodasse, ela chorava, sujava a casa e roía as coisas. Detestava colo e passava mal em todo passeio de carro, por mais curto que fosse.
Hoje ela é uma magrela enorme. Só chora pra ganhar carinho ou subir no colo, faz seu cocô no lugar certinho e virou uma senhora maria gasolina.
Ela não cresceu em função da minha vontade por mais que eu tenha a presunção de querer controlar as variáveis da vida.
Puta show
Não sei se foi a passadinha prévia na apresentação do Ney Matogrosso, se foi a caminhada pelo Centro, a noite quente, a companhia boa, o chopp gelado ou simplesmente a ótima performance do The Rapture. O fato é que o show de ontem foi bárbaro e já está no hall da minha memória ao ladinho do show de 2007 do Keane.
Tuesday, January 24, 2012
Enjôo no carro
Quando criança eu vinha de Santos para visitar minha vó e às vezes pegava Metrô. Do Jabaquara até a Sé eu costumava parar umas quatro vezes. O motivo era simples - enjôo forte e vômito certo.
Em carrossel eu brinquei três ou quatro vezes em toda a minha vida. De novo, enjôo e vômito.
Ler em movimento, seja no carro, Metrô ou avião, sempre foi complicado. Antes e hoje.
Por mais que eu queira girar, por maior que seja minha vontade de ler enquanto viajo não encontro um meio de vencer meu labirinto defeituoso. Passam-se os anos, testo novos truques, me concentro na respiração, mas o resultado é sempre o mesmo.
Eu desisto agora e largo o livro.
Passou da hora de admitir que eu não tenho capacidade de controlar algumas coisas. Por mais que eu queira, por mais que racionalmente o funcionamento de tudo seja lógico, não dá. Eu não consigo.
Ler num carro em movimento resulta em enjôo. Se preciso tanto ler, melhor descer do carro. Se preciso viajar, melhor largar o livro.
Em carrossel eu brinquei três ou quatro vezes em toda a minha vida. De novo, enjôo e vômito.
Ler em movimento, seja no carro, Metrô ou avião, sempre foi complicado. Antes e hoje.
Por mais que eu queira girar, por maior que seja minha vontade de ler enquanto viajo não encontro um meio de vencer meu labirinto defeituoso. Passam-se os anos, testo novos truques, me concentro na respiração, mas o resultado é sempre o mesmo.
Eu desisto agora e largo o livro.
Passou da hora de admitir que eu não tenho capacidade de controlar algumas coisas. Por mais que eu queira, por mais que racionalmente o funcionamento de tudo seja lógico, não dá. Eu não consigo.
Ler num carro em movimento resulta em enjôo. Se preciso tanto ler, melhor descer do carro. Se preciso viajar, melhor largar o livro.
Quem conta um...
- Quelle langue est-ce, perguntou intrigada. Tentou levantar-se. Tontura e dor. Agora sobrava tempo para sentí-la.
Era no topo da cabeça. Levou a mão ao centro das pontadas.
- C'est ecchymose géant! Comment est-ce arrivé ... ah, une noix de coco!
- C'est ecchymose géant! Comment est-ce arrivé ... ah, une noix de coco!
Voltou ao presente e viu seus salvadores apontarem para o fruto verde
que se encontrava no chão de areia.
- Ela poderia ter morrido, diziam
eles sem que ela compreendesse nada.
- Moça, a senhora está hospedada
em qual pousada, perguntou o rosto que parecia mais velho. - A senhora consegue caminhar até lá, completou
aumentando o volume das palavras para ser entendido.
- Je vais bien. Il était une noix de coco. Heureusement que ces palmiers sont des naines. Je veux dire, pas de nains, mais plus petit que prévu. Ela falava tudo muito rápido e aumentava o tom da voz na esperança de ser compreendida por aqueles olhares ansiosos.French
Perdí o passo, quer dizer a lapiseira, na parte do francês. O que eu tinha rabiscado tempos atrás não faz sentido para os meus olhos de agora.
Preciso colocar na lista de coisas importantes para aprender antes de morrer: francês.
Preciso colocar na lista de coisas importantes para aprender antes de morrer: francês.
Monday, January 23, 2012
Sunday, January 22, 2012
Bora
O sono tá me enrolando desde às oito horas da noite. Me abraça, me pega, parece letra de pagode. Falei pra ele esperar o tempo de um pastel e de um churros com doce de leite, mas para nossa decepção - minha e do meu sono - a pastelaria estava fechada. Achei uma temakeria e não consegui sequer mastigar o último cone.
Saturday, January 21, 2012
Memória do cheiro
Minha memória é um traço marcante.
Imagens, sons e sabores de anos brotam na minha frente como se tivessem sido experimentados ontem. Ouço um som que me desperta a lembrança de algo parecido.
Toques e cheiros fazem marcas mais fracas. Talvez não sejam marcas mais fracas porque daquilo que recordo tenho a sensação latente.
Tive um olfato apurado até fazer estágio numa usina. Depois disso minha alergia respiratória alcançou níveis extremos e a rinite virou parceira de quase toda hora. Não percebo mais os detalhes dos cheiros e há dias em que realmente não sinto aroma algum. Minhas memórias olfativas normalmente estão ligadas à acontecimentos de infância e adolescência com algumas exceções.
Já o tato é uma coisa diferente. Eu lembro dos toques e das sensações. Sou uma típica taurina que adora massagens e carinhos... o estranhamento se dá porque eu não revivo a sensação como nos outros sentidos. Nunca acontece de sentir um toque que me remeta a outro toque. O único contato que me faz reviver coisas passadas é o toque de certos ventos.
Imagens, sons e sabores de anos brotam na minha frente como se tivessem sido experimentados ontem. Ouço um som que me desperta a lembrança de algo parecido.
Toques e cheiros fazem marcas mais fracas. Talvez não sejam marcas mais fracas porque daquilo que recordo tenho a sensação latente.
Tive um olfato apurado até fazer estágio numa usina. Depois disso minha alergia respiratória alcançou níveis extremos e a rinite virou parceira de quase toda hora. Não percebo mais os detalhes dos cheiros e há dias em que realmente não sinto aroma algum. Minhas memórias olfativas normalmente estão ligadas à acontecimentos de infância e adolescência com algumas exceções.
Já o tato é uma coisa diferente. Eu lembro dos toques e das sensações. Sou uma típica taurina que adora massagens e carinhos... o estranhamento se dá porque eu não revivo a sensação como nos outros sentidos. Nunca acontece de sentir um toque que me remeta a outro toque. O único contato que me faz reviver coisas passadas é o toque de certos ventos.
Friday, January 20, 2012
4 horas de sono
Graças aos meus queridos vizinhos dormi apenas 4 horas desde que me deitei às 6 de la matina. Apesar de precisar muito de minhas sagradas 8 horas de sono diárias, meu humor voltou.
Acho que eram os hormônios.
Acho que vi uma gata. Eu vi uma gata e ela miou pra mim.
Acho que eram os hormônios.
Acho que vi uma gata. Eu vi uma gata e ela miou pra mim.
Thursday, January 19, 2012
Mau humor
Depois de uma grande temporada de leveza, essa manhã acordei tomada pelo mau humor.
Pode ser um reflexo comum, resultado da frustração. Em São Paulo só chove e todo movimento que tento fazer parece uma caminhada em areia movediça. Por outro lado, talvez sejam os hormônios alagando meu cérebro.
Seja o que for, cansei de Luizas, Telós e dos repetidos discursos vazios. Sinto raiva mesmo de todo mundo que parece procurar um palquinho para soltar sua verborragia do momento. Tanta gente querendo só falar e nunca ouvir. E os imitadores...ah, esses são os que me dão mais asco. Gente tacanha que muda de gosto e de opinião conforme a turma.
"Há 30 anos perdemos Elis"...foda-se a Elis. Ela gostava de whisky com cocaína e morreu por conta disso. Talvez a família dela tenha perdido algo, mas eu não perdi coisa nenhuma. Era presunçosa pra cacete e chegou a dizer que cantora no Brasil só tinha ela e a Gal. Dai morre e começa o endeusamento feito até por pessoas que nunca ouviram sequer uma música cantada por ela.
A questão é que eu estou mal humorada, mas eu fui castrada pela educação que recebi o que me impede de cuspir o que penso. Resolvi desabafar um pouco por aqui para ler esse post em alguns dias e quem sabe achar graça do meu azedume.
Pode ser um reflexo comum, resultado da frustração. Em São Paulo só chove e todo movimento que tento fazer parece uma caminhada em areia movediça. Por outro lado, talvez sejam os hormônios alagando meu cérebro.
Seja o que for, cansei de Luizas, Telós e dos repetidos discursos vazios. Sinto raiva mesmo de todo mundo que parece procurar um palquinho para soltar sua verborragia do momento. Tanta gente querendo só falar e nunca ouvir. E os imitadores...ah, esses são os que me dão mais asco. Gente tacanha que muda de gosto e de opinião conforme a turma.
"Há 30 anos perdemos Elis"...foda-se a Elis. Ela gostava de whisky com cocaína e morreu por conta disso. Talvez a família dela tenha perdido algo, mas eu não perdi coisa nenhuma. Era presunçosa pra cacete e chegou a dizer que cantora no Brasil só tinha ela e a Gal. Dai morre e começa o endeusamento feito até por pessoas que nunca ouviram sequer uma música cantada por ela.
A questão é que eu estou mal humorada, mas eu fui castrada pela educação que recebi o que me impede de cuspir o que penso. Resolvi desabafar um pouco por aqui para ler esse post em alguns dias e quem sabe achar graça do meu azedume.
Wednesday, January 18, 2012
Quem conta um...
O barulho confuso parecia que vinha de um túnel. Começou a crescer e
ficar mais claro. Claro não, perceptível. Assim como as bofetadas que sentia no
rosto.
Abriu os olhos e encontrou quatro ou cinco rostos desconhecidos. Aquelas
quatro ou cinco bocas se mexiam e emitiam sons desencontrados. Escutava as
vozes, percebia a melodia das palavras, mas não compreendia o sentido daquilo
tudo.
Tuesday, January 17, 2012
Banho de chuva
Molhada eu já estava. Então, me lembrei da ação com intenção.
Calcei tênis de corrida. Vesti short e camiseta. Sai pra fazer nada além de tomar chuva na cara.
A água bateu no rosto, molhou minha roupa e sujou o calçado.
Eu sorrí. Foi tudo que tive vontade de fazer. E fiz.
Calcei tênis de corrida. Vesti short e camiseta. Sai pra fazer nada além de tomar chuva na cara.
A água bateu no rosto, molhou minha roupa e sujou o calçado.
Eu sorrí. Foi tudo que tive vontade de fazer. E fiz.
Quem conta um...
Virou a última página e suspirou. Era o fim do terceiro livro lido
naquela semana de férias com a família.
A estória era ótima. Um homem numa crise de identidade que abandona seu
trabalho, suas pontes, ruas e hábitos. No mesmo passo que deixa seus costumes,
ruma para outro país a procura do autor de um livro que folheara. Escritos de
uma língua que aquele homem não conhecia. Português.
Assim que a satisfação assentou-se dentro dela, ela levantou o olhar e
voltou ao presente. O mar azulado a sua frente, uma praia de areia branca
emoldurada por coqueirais dos dois lados.
Escolheu um ponto na paisagem. Não queria pensar na rotina que deixara
para trás.
Coqueiros. Tantos. Tirou os óculos escuros para ter certeza que
capturava a combinação certa – azul celeste, verde amarelado das folhas e uma
cor de palha na areia. Os coqueiros não eram anões, tampouco eram altos como se
podia esperar. Branco cremoso! Uma nuvem completou a visão.
Ia chover e era melhor se apressar no caminho da volta. Recolheu o par
de chinelos, vestiu sua camiseta e seguiu para a trilha.
Caminhava num passo tranquilo, sem medo do sol e menos ainda da chuva.
Não escutou o som de pancada abafada. A dor foi muito breve e mal pode
ser notada.
Monday, January 16, 2012
Barulhinho bom
É tão baixinho que ninguém mais escuta. Só eu.
Se antes era um fantasma que me assustava hoje é um companheiro que me faz bem. Me machucou, mas venho perdendo o medo. Me liberto e dou um passo adiante sempre que escuto esse sussurro agridoce.
Se antes era um fantasma que me assustava hoje é um companheiro que me faz bem. Me machucou, mas venho perdendo o medo. Me liberto e dou um passo adiante sempre que escuto esse sussurro agridoce.
Saturday, January 14, 2012
Movimento
Ano novo, de volta da praia, cabelo tratado e com novo corte.
Símbolo, símbolo e mais simbologia.
A vida me pediu muito silêncio e aquietação. Eu dei. O tempo que ela demandou de mim foi dado. Melhor, investido generosamente.
Agora, eu peço movimento pra vida. E sei que ela me atenderá. Basta eu soltar o corpo e abrir os braços.
Símbolo, símbolo e mais simbologia.
A vida me pediu muito silêncio e aquietação. Eu dei. O tempo que ela demandou de mim foi dado. Melhor, investido generosamente.
Agora, eu peço movimento pra vida. E sei que ela me atenderá. Basta eu soltar o corpo e abrir os braços.
Wednesday, January 11, 2012
Tuesday, January 10, 2012
Snorkeling noturno
Madrugada adentro. A lua cheia não abre mão do seu showzinho diário. Estou pregada.
Fui pro mar sob a luz Yin. Fui ver o desconhecido e me deparei com cores, lagostas arredias, lulinhas encantadoras, peixes, peixes e o peixe morcego que segurei nas mãos.
Tudo misterioso. Tudo fascinante.
Fui pro mar sob a luz Yin. Fui ver o desconhecido e me deparei com cores, lagostas arredias, lulinhas encantadoras, peixes, peixes e o peixe morcego que segurei nas mãos.
Tudo misterioso. Tudo fascinante.
Sunday, January 08, 2012
Friday, January 06, 2012
Descobertas
Lagoa Azul, lagoa e praia da Cassange. Natureza pulsando em cada trilha.
Água morninha, cristalina e ondas boas para pegar jacaré.
O mar era só nosso. A praia era só nossa. E eu fiz questão de abusar da minha sorte sentindo a beleza das minhas horas.
Micos na trilha. Mandacaru no pé: como essa fruta vermelha por fora é boa, mesmo que eu tenha me espetado no cacto.
Água morninha, cristalina e ondas boas para pegar jacaré.
O mar era só nosso. A praia era só nossa. E eu fiz questão de abusar da minha sorte sentindo a beleza das minhas horas.
Micos na trilha. Mandacaru no pé: como essa fruta vermelha por fora é boa, mesmo que eu tenha me espetado no cacto.
Sunday, January 01, 2012
2012 chegou
Passei o Reveillon na casa da dona Rose. Tudo muito leve e divertido, banhado por um clima de afeto mútuo.
Essa energia que eu quero em 2012. Eu escolhendo viver momentos felizes, rodeada de coisas simples, verdadeiras e satisfeita com o momento presente.
Minha mãe disse que esse ano é regido por Ogum. Então, que ele venha me guardar e me conduzir pelas batalhas da vida rumo a vitória.
Essa energia que eu quero em 2012. Eu escolhendo viver momentos felizes, rodeada de coisas simples, verdadeiras e satisfeita com o momento presente.
Minha mãe disse que esse ano é regido por Ogum. Então, que ele venha me guardar e me conduzir pelas batalhas da vida rumo a vitória.
Restrospectiva 2011
Dezembro
No fim das contas eu joguei muito com as meninas do Maroto, fui no Momix e em algumas exposições, li um livro sobre a Elizabeth Bishop chamado Aprender a Perder e outro que ganhei de Natal chamado Dois Rios da Tatiana Salem Levy. Fui em algumas festas como o Sunset, pintei, desenhei e escrevi bastante.
De repente, em dezembro a confiança chegou devagarzinho, retomei contatos profissionais, fiz três boas entrevistas e me deparei com a seguinte situação: o ano que eu pensara ter sido horrível na verdade fora um ano bom.
2011 foi isso, um ano bom que de formas improváveis construiu a certeza de que ao chegar no último dia dele eu sou uma pessoa bem melhor, com mais capacidade de ser plena e feliz do que no dia 31 de dezembro de 2010.
Restrospectiva 2011
Outubro
Sem emprego, sem relacionamento, sem casa, sem chão, mas recuperando minha coragem e minha força interior.
Em outubro eu chorei, mas dessa vez eu também soquei a ponto de machucar o polegar direito (eu acho que quebrei porque até hoje dói), eu falei, eu me autorizei a sentir raiva de quem eu amo. Em outubro eu fui mais gente.
Restrospectiva 2011
Outubro
Outubro foi o mês do inacreditável.
Meu irmão se casou e deixou a casa da nossa mãe.
Eu, com data certa para começar no novo emprego, fui reprovada num exame médico surreal sem ter doença alguma.
Finalmente tive coragem de abrir a boca e admitir em voz alta todo o desrespeito que permití que tivessem comigo desde o primeiro semestre. Em 20 de outubro eu rompí com a rainha e minha independência deixou de ser um acerto de comadres.
Restrospectiva 2011
Setembro
Em 7 de setembro comemora-se a independência do Brasil. A história floreia, mas sabe-se bem que nosso rompimento com Portugal foi suave e quase simbólico.
Em 7 de setembro de 2011 eu achei que tinha acontecido a pior coisa do ano. Hoje, penso diferente. Naquela data eu fiz a segunda melhor coisa do ano. Comecei a me libertar de uma prisão que não foi construída por mim, mas que teve paredes, grades e guardas reforçados pelas minhas fraquezas.
Saí do lugar que chamava de casa e voltei para a proteção reconfortante do lar da minha mãe.
Restrospectiva 2011
Agosto
Voltei pra aula de guitarra e meu primeiro reef foi Satisfaction.
Pensei muito no fim do meu mundo depois de assistir Árvore da Vida e Melancolia.
Fui autorizada a assistir o Metronomy no Beco como se eu fosse mulher de precisar de autorização.
A terapia ia me fazer bem. Ela me fez bem.
Restrospectiva 2011
Julho
As coincidências brotando na minha frente, a crueza de alguns fatos batendo na minha cara e eu dei um passo.
De longe, a melhor coisa que me aconteceu em 2011. Que me aconteceu não. A melhor coisa que eu fiz acontecer em 2011: pedi demissão daquele lugar que me pagava um bom dinheiro, mas que me cobrava um preço muito alto: emburrecer, embrutecer.
Restrospectiva 2011
Junho
A final foi no dia seguinte do meu retorno de Buenos Aires.
O palco era o Pacaembú.
A estrela, ah a estrela seria nossa no fim dos 90 minutos.
Eu e meu irmão vivemos a aventura dos ingressos comprados de cambista, a frustração de sermos barrados na entrada, a constatação de que centenas de outros torcedores se encontravam na mesma lama, a improbabilidade de encontrar o meliante, a corrida da captura e prisão do pilantra que tinha que ser corinthiano, a tensão do primeiro tempo na delegacia e a alegria suprema de ser santista no dia 22 de junho de 2011: a Libertadores era nossa.
Subscribe to:
Posts (Atom)

